Memória

Que bom! Voltamos a falar de Jackson do Pandeiro

Por Luís Pimentel - 19/07/2016
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Está sendo lançada uma portentosa caixa de CDs, com praticamente toda a obra gravada do imortal caricaturista do forró, aqui caricaturado por Amorim. Duas coisas boas: os relançamentos e saber que novamente estamos falando de Jackson!
    Chico Buarque, que jamais faz recomendações à toa, já recomendou: “Contra fel, moléstia e crime/Use Dorival Caymmi, vá de Jackson do Pandeiro”. Um dos maiores cantores e ritmistas que o Nordeste ofertou ao Brasil, Jackson (José Gomes Filho, 1919-1982) foi um dos artistas mais comoventes que já vi sobre um palco.
Nascido em Alagoa Grande, no interior da Paraíba, o moleque Zé (“Vixe, como tem Zé/Zé de baixo e Zé de riba/Esconjuro com tanto Zé/Como tem Zé lá na Paraíba”) era filho de uma cantadora de coco, que arrepiava tocando ganzá. Queria aprender a tocar sanfona, um dos instrumentos preferidos dos nordestinos, juntamente com o zabumba e o triângulo. Os pais não tinham dinheiro para a sanfona, deram-lhe um pandeiro.
Menino ainda, Jackson se mudou com a família para Campina Grande, onde fez todo tipo de trabalho destinado aos meninos pobres e começou a prestar atenção nos cantadores de coco e violeiros das feiras. Foi em Campina que amigos lhe deram seu primeiro nome artístico, Jack, por influência dos seriados norte-americanos de faroeste a que assistia no cinema, onde tinha sempre um Jack isto ou aquilo.
O artista foi fazendo o seu caminho, ao caminhar e ao cantar. Nos anos 40 transferiu-se para João Pessoa, onde tocou em cabarés e começou a se apresentar em programas de rádio. De lá, para Recife, a desde sempre festejada capital de Pernambuco. Estreou na concorrida Rádio Jornal do Comércio, onde ganhou e adotou definitivamente o nome Jackson do Pandeiro. Em 1953 gravou seus primeiros sucessos: Sebastiana (Rosil Cavalcanti) e Forró em Limoeiro (Edgar Ferreira). Em Recife casou-se com Almira, que se tornou sua parceira nas apresentações, dançando e fazendo coro ao seu lado.
O ano de 1956 encontra Jackson e Almira desembarcando no Rio de Janeiro. Sua maneira peculiar de cantar e de tocar o seu pandeiro já era festejada no país inteiro e o paraíba danado foi logo contratado pela Rádio Nacional. Fez um sucesso enorme, de público e de crítica, arrepiando nos baiões, cocos, rojões, sambas e marchinhas de carnaval. Sua influência é até hoje sentida em artistas que regravam as músicas que Jackson celebrizou. A influência de sua maestria e velocidade vocal pode ser conferida em grandes artistas que se inspiraram nele, como João Bosco, Lenine e Elba Ramalho, entre tantos outros.
Jackson do Pandeiro popularizou e deu dignidade interpretativa a inúmeros clássicos da música nordestina, como Chiclete com Banana (Gordurinha/ Almira Castilho), Xote de Copacabana (José Gomes), 17 na Corrente (Edgar Ferreira/ Manoel Firmino Alves), Como Tem Zé na Paraíba (Manezinho Araújo/ Catulo de Paula), Cantiga do Sapo, A Mulher do Aníbal, (Edgar Ferreira) e Forró em Caruaru (Zé Dantas).
Alguns especialistas garantem que no início da carreira Jackson imitava o grande cantor Jorge Veiga, conhecido como o caricaturista do samba. No início da carreira, talvez. Seguramente, depois o neguinho elétrico achou o seu caminho, tão caricatural quanto Jorge, mas com personalidade própria.
Tornou-se, possivelmente, o caricaturista do forró.
 

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