Homenagens

Efson​: um bamba intuitivo e gaiato

Por Gerdal J. Paula - 11/11/2014
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"Conhecemo-nos no início dos anos 80, no Ponto dos Compositores, na Rua Treze de Maio. E logo sua inacreditável musicalidade me surpreendeu: ele fazia as melodias de ouvido e as transmitia já cantarolando com os arranjos, imitando com a boca o som dos instrumentos e harmonizando, mesmo. Era indubitavelmente um gênio!"
 Desse modo, no último dia 5, em postagem de poucas mas substanciais linhas, Nei Lopes, em seu blogue, Meu Lote ("link" abaixo), dá-nos noção da importância desse criador popular chamado Edson Ferreira, seu parceiro, especialmente, em "Firme e Forte", de 1983, gravado por Beth Carvalho, já um clássico da folia. Pratista do bloco Bafo do Bode (hoje a escola de samba Renascer de Jacarepaguá), do qual foi um dos fundadores, Efson (foto abaixo), nascido no Morro da Caixa D`Água - Largo do Tanque, na Zona Oeste do Rio -, viveu, ainda na infância, no Morro dos Macacos, situado no bairro de Noel, onde residiam dois tios muito ligados à Unidos de Vila Isabel (um, Rosário, fundador, compositor e passista; o outro, Tião de Nada, passista e ritmista), e, depois, por alguns anos, em Viçosa (MG) (chão natal do pianista, compositor e regente Hervé Cordovil), onde fez parte do coral da Escola Agrícola Artur Bernardes, em cuja banda tocou trombone de pisto.

Tal contato com a música - o samba, em particular - certamente nele despertaria a inclinação para criar e cantar. Nos anos 60, calouro, deu as caras na "Buzina do Chacrinha" e, "crooner", a convite do maestro Pedrotti, era visto em palcos de boates do Rio, até provar o agrado popular, que também viria, firme e forte, com "Brilha pra Mim", em 1988, gravado por Jorge Aragão, e "Caçamba", em 1993, pelo grupo Molejo, estas feitas com um já desaparecido Odibar (parceiro regular do pernambucano Paulo Diniz em êxitos como "Um Chope pra Distrair", "Brasil, Brasa, Braseiro" e "I Want To Go Back to Bahia").
Sempre presente à prestigiada roda de samba sob o comando de Moacyr Luz, no Renascença, à qual deu colorido e vibração especiais, conheci o Efson - "negro, sim senhor" e consciente -, há anos, em outro desses redutos de bambas, mas viria da rua, da calçada, em particular, a amizade que tivemos, por causa de vários encontros fortuitos e longos no Centro do Rio, quando ele sempre me punha ao corrente dos seus passos artísticos e me mostrava um samba que tinha na ponta da língua, com seu jeito peculiar e divertido - até espalhafatoso - de cantar, já vislumbrando um disco novo ou alguma gravação por algum "canário". Um gênio intuitivo e dessas figuras que, por serem como são, fora do comum, trazem atrativo à paisagem urbana e lhe conferem aquele quê pitoresco.
Nele, aliás, pelo seu natural, não caberia aquela dúvida alfiana, pois o inesperado, decerto, fazia uma surpresa. 

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