Homenagens

Durval Ferreira, 80 anos ("in memoriam"): o violão na bossa

Por Gerdal J. Paula - 29/01/2015

 "Um sambinha é bom/quando ele é fácil de cantar/e quando vem a inspiração/é natural uma canção.../e toda história viverá/quem com carinho só cantar/e toda a gente há de ver/e, facilmente, compreender/que o que se quer é mesmo paz/e nada mais."

E nada mais, infelizmente, pôde fazer o grande violonista Durval Ferreira depois do dia 17 de junho de 2007, quando faleceu, vitimado por um câncer. Nenhuma de suas apreciadas composições pôde mais ser criada e ouvida, como o fora, poe exemplo, o terna "E Nada Mais", feito com um dos mais recorrentes letristas da bossa nova, Luiz Fernando Freire, cujo pai, já falecido, Victorino Freire, político atuante no final dos anos 50 e limiar dos anos 60, foi dono de um outro apartamento-referência em matéria de encontros musicais da rapaziada dissonante, na Rua Tonelero, em Copacabana. Nascido "caprichosamente" em Pilares, bairro da Zona Norte carioca bem distanciado da orla e origem atípica de um destaque bossa-novista, Durval foi criado na mesma "ambivalente" Vila Isabel de Noel Rosa e Johnny Alf, onde, nos anos 50, teve contato com o acreano João Donato, então um acordeonista avançado que tocava na orquestra de Valdemar Spilmann. 

Já morando na Praça São Salvador, em Laranjeiras, conheceu o gaitista Maurício Einhorn, que o introduziu no mundo do jazz e com ele assinou clássicos como "Tristeza de Nós Dois" (também com Bebeto Castilho), "Estamos Aí" (também com Regina Werneck) e "Batida Diferente. Liderou o conjunto Os Gatos - tocando com Eumir Deodato, Wilson das Neves, Neco, Paulo Moura, Norato, Ed Maciel, Meirelles e Copinha - e, depois, a partir dos seguintes anos 70, por três decênios, abraçaria a atividade de produtor e diretor artístico em várias gravadoras, como a CID. "Chuva", tão suavemente gotejada na interpretação de Claudette Soares, é uma das suas músicas mais cativantes, em parceria com o cineasta Pedro Camargo, num rosário de pérolas autorais de que se podem lembrar, entre outras, "Registro", com o publicitário Marcello Silva, "São Salvador" (belíssimo tema instrumental para a citada praça da Zona Sul carioca) e, mais recentemente, "Antônio Brasileiro", com letra de Tibério Gaspar, vencedora, em 2005, de um festival de música em Jacareí, no interior de São Paulo.

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Abaixo, retransmito o recado que recebi da amiga Amanda Bravo (foto abaixo), filha de Durval Ferreira, sobre homenagem, neste domingo, inspirada pela data de aniversário (26 de janeiro) de seu pai, executor de batidinha caprichada no melhor sabor estético da bossa nova.  

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