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O bandolim múltiplo de Fábio Peron

Por Daniel Brazil - 26/10/2016

O bandolim é profundamente identificado com a história do choro no Brasil. Mestres como Luperce Miranda e Jacob Bittencourt influenciaram as gerações seguintes de tal forma que lá pela década de 80 parecia estar eternamente acorrentado ao gênero. Foi a musicalidade explosiva de artistas como Armandinho e Hamilton de Holanda que expandiu os limites do instrumento, despertando o interesse de jovens músicos para suas enormes possibilidades.

O paulista Fábio Peron é um desses talentosos renovadores do bandolim. No CD Fábio Peron e a Confraria do Som (Por do Som, 2015) desdobra-se no bandolão e bandolim de dez cordas, acompanhado por alguns dos melhores músicos brasileiros.

O conceito do disco é a diversidade de gêneros e timbres. Fábio toca composições próprias, com uma formação diferente em cada faixa. Cada convidado toca uma peça em duo com o anfitrião, e outra com músicos de apoio. E rolam choro (claro!), valsa, samba, frevo, maracatu, jazz e outras “coisas”, como diria o mestre Moacir Santos.

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Arismar do Espírito Santo toca piano na faixa de abertura e violão de 7 cordas na seguinte, que conta também com a flautista Léa Freire. O baixo elétrico de Thiago Espírito Santo duela com o bandolim de Peron em Afro Nipônico, e soma-se à bateria de Edu Ribeiro e o violão de Danilo Silva em De Fraque no Frevo. Os mestres Izaías Bueno de Almeida e seu irmão Israel são os convidados de honra da faixa seguinte, que conta também com o cavaco de Ildo Silva e o pandeiro de Roberta Valente. Izaías no bandolim e o anfitrião no bandolão arrasam na valsa Coração no Dedos.


O clarinetista Alexandre Ribeiro faz dueto em Distância, e toca com um afiado grupo em Vixejá, onde brilha o violão de Gian Correa. Ricardo Herz introduz o violino nas duas faixas seguintes, em duo e em grupo, com participação vocal de Juliana Amaral. E chega a vez da guitarra internacional de Chico Pinheiro, delicado na faixa Paz e quebrando tudo no samba moderno Esquenta.


Os encontros se encerram com o violão virtuoso de Zé Barbeiro, mestre das 7 cordas, em duas faixas instigantes. Os arranjos de Fábio Peron valorizam os contrastes e a sonoridade de cada instrumento convidado, e demonstram a maturidade musical deste filho de músicos que honra a tradição familiar. Produzido por Swami Junior, o CD Fábio Peron e a Confraria do Som é uma bela amostra do vigor da música instrumental brasileira contemporânea.
 

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