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A cumplicidade de Ivan Lins e Gilson Peranzzetta

Por Cláudio Jorge - 19/02/2018

Se a gente der uma olhada de cima para o Brasil, tipo drone, veremos com facilidade que a felicidade está passando ao largo de muita gente. Cada um no seu canto com suas insatisfações e pequenos prazeres em relação a tudo que vivemos no nosso amado país dos novos tempos. Os muito ricos, aparentemente, devem ter menos problemas do que nós pobres mortais, mas como eles ainda são humanos, por enquanto, devem ter lá seus problemas de azia, enxaqueca, ressaca, chifres e brochadas, como qualquer mortal.


“Estes tempos não estão pra ninharia”, é frase que vem lá do passado e se revigora a cada dia. Pós o êxtase do carnaval do Tuiuti vem a ressaca de realidade com intervenção militar de brinde. Ou seja, preocupações e insatisfações para todos os gostos.


Agora, se tem uma coisa que todo mundo sente igual, independente do que se tenha no buraco do pano, nos deixando todos democraticamente satisfeitos, felizes, é quando se ouve uma música daquelas que atingem a alma, a mente, o coração, provocando prazer, reflexão, risos ou lágrimas. Música, presente dos Deuses para aliviar meus ais.

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É o que aconteceu comigo quando ouvi o álbum “Cumplicidade”, delicada performance de Ivan Lins e Gilson Peranzzetta. Vou logo avisando ao leitor que ainda não ouviu, que não se trata de um disco para se ouvir de qualquer maneira, é para ser ouvido cerimoniosamente, no que de melhor essa palavra pode nos oferecer.


No meu caso, foi de fone de ouvidos, na madrugada, meia luz, só eu e a taça de vinho, nada mais. Mais que uma audição, foi uma imersão. Que álbum lindo! Por inúmeros motivos.
A emoção de um encontro que não tem base num lance de “mercado”, mesmo que cultural, tipo fulano convida ciclano, ou ciclano interpreta fulano, é um destes motivos.
“Cumplicidade” é como um reencontro a portas fechadas, uma intimidade, depois de muita atividade pública em canções, palcos e discos ao longo de quarenta e quatros anos de parceria e amizade.
O compositor, intérprete e pianista genial, prestigiado pelos maiores nomes da música mundial e o pianista e arranjador não menos genial que tem na sua lista de fãs Quincy Jones, o arranjador do Michel Jackson, entre outros.


A cumplicidade dos dois vem de longe na fidelidade de Ivan por tanto tempo ao arranjador que completou suas canções com introduções memoráveis que se agregaram eternamente aos temas.
Duas coisas me chamaram mais a atenção neste trabalho.
Primeiro o piano de Gilson e seus solos, seus improvisos. Os improvisos de Gilson são dele, sāo originais, não são baseados nas escalas do jazz que nós músicos normalmente nos dedicamos a dominar, embora de vez em quando eles apareçam por lá.
O outro destaque é o prazer que dá ouvir as músicas do Ivan num formato enxuto de voz e dois pianos. Melodias e letras ficam mais expostas e temos a oportunidade de uma experiência única com o repertório do Ivan, onde se destacam as letras do Victor Martins.
Em suma “Cumplicidade” é um título perfeito para a produção da também cúmplice Eliana Peranzzetta, cumplicidade que precisa ser estimulada entre os que curtem a música brasileira e seus músicos compositores e produtores, antes que seja tarde.


Essa crônica é minha modesta contribuição para esse momento em que um desencontro entre criadores culturais e público foi imposto a nossas vidas de forma contundente e acentuada.
Ivan e Gilson demonstram neste trabalho que fazem parte daqueles que nāo entregam o jogo no primeiro tempo, nāo correm da raia, nāo correm do sonho de uma música popular pacificadora, inclusiva, respeitosa, honrada, talentosa, poderosa, unificadora, enfim, provocadora dos melhores sentimentos, como deve ser. Parabéns pelo álbum meus camaradas. Tenho o maior orgulho de ser amigo e parceiro dos dois.
Se a gente der uma olhada de cima para o Brasil, tipo drone, veremos com facilidade que a felicidade está passando ao largo de muita gente. Cada um no seu canto com suas insatisfações e pequenos prazeres em relação a tudo que vivemos no nosso amado país dos novos tempos. Os muito ricos, aparentemente, devem ter menos problemas do que nós pobres mortais, mas como eles ainda são humanos, por enquanto, devem ter lá seus problemas de azia, enxaqueca, ressaca, chifres e brochadas, como qualquer mortal.


“Estes tempos não estão pra ninharia”, é frase que vem lá do passado e se revigora a cada dia. Pós o êxtase do carnaval do Tuiuti vem a ressaca de realidade com intervenção militar de brinde. Ou seja, preocupações e insatisfações para todos os gostos.
Agora, se tem uma coisa que todo mundo sente igual, independente do que se tenha no buraco do pano, nos deixando todos democraticamente satisfeitos, felizes, é quando se ouve uma música daquelas que atingem a alma, a mente, o coração, provocando prazer, reflexão, risos ou lágrimas. Música, presente dos Deuses para aliviar meus ais.
É o que aconteceu comigo quando ouvi o álbum “Cumplicidade”, delicada performance de Ivan Lins e Gilson Peranzzetta.
Vou logo avisando ao leitor que ainda não ouviu, que não se trata de um disco para se ouvir de qualquer maneira, é para ser ouvido cerimoniosamente, no que de melhor essa palavra pode nos oferecer.
No meu caso, foi de fone de ouvidos, na madrugada, meia luz, só eu e a taça de vinho, nada mais. Mais que uma audição, foi uma imersão. Que álbum lindo! Por inúmeros motivos.


A emoção de um encontro que não tem base num lance de “mercado”, mesmo que cultural, tipo fulano convida ciclano, ou ciclano interpreta fulano, é um destes motivos.
“Cumplicidade” é como um reencontro a portas fechadas, uma intimidade, depois de muita atividade pública em canções, palcos e discos ao longo de quarenta e quatros anos de parceria e amizade.
O compositor, intérprete e pianista genial, prestigiado pelos maiores nomes da música mundial e o pianista e arranjador não menos genial que tem na sua lista de fãs Quincy Jones, o arranjador do Michel Jackson, entre outros.
A cumplicidade dos dois vem de longe na fidelidade de Ivan por tanto tempo ao arranjador que completou suas canções com introduções memoráveis que se agregaram eternamente aos temas.
Duas coisas me chamaram mais a atenção neste trabalho.
Primeiro o piano de Gilson e seus solos, seus improvisos. Os improvisos de Gilson são dele, sāo originais, não são baseados nas escalas do jazz que nós músicos normalmente nos dedicamos a dominar, embora de vez em quando eles apareçam por lá.


O outro destaque é o prazer que dá ouvir as músicas do Ivan num formato enxuto de voz e dois pianos. Melodias e letras ficam mais expostas e temos a oportunidade de uma experiência única com o repertório do Ivan, onde se destacam as letras do Victor Martins.
Em suma “Cumplicidade” é um título perfeito para a produção da também cúmplice Eliana Peranzzetta, cumplicidade que precisa ser estimulada entre os que curtem a música brasileira e seus músicos compositores e produtores, antes que seja tarde.
Essa crônica é minha modesta contribuição para esse momento em que um desencontro entre criadores culturais e público foi imposto a nossas vidas de forma contundente e acentuada.


Ivan e Gilson demonstram neste trabalho que fazem parte daqueles que nāo entregam o jogo no primeiro tempo, nāo correm da raia, nāo correm do sonho de uma música popular pacificadora, inclusiva, respeitosa, honrada, talentosa, poderosa, unificadora, enfim, provocadora dos melhores sentimentos, como deve ser. Parabéns pelo álbum meus camaradas. Tenho o maior orgulho de ser amigo e parceiro dos dois.
  

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